Neste dia em que Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado, a Igreja, comunidade de fé, contempla a paixão do Senhor Jesus, adora a cruz e comemora o seu próprio nascimento do lado de Cristo.O Senhor Jesus se entrega nas mãos do Pai. Num ato supremo de amor, inclinando a cabeça, entrega o Espírito. Em profundo silêncio, escutamos os relatos da entrega do Senhor, que, pela morte de cruz, se tornou causa de salvação para todos; contemplamos a cruz, o lenho que trouxe a salvação a todos, e comungamos do seu Corpo doado para a vida do mundo. O Salmo 69(68) inspira no Quarto Evangelho o grito de Jesus: “Tenho sede!” e o detalhe do vinagre que, em resposta, lhe oferecem. “Para a minha sede deram vinagre” (v. 22) “os que me odeiam sem motivo” (v. 5). Para a sede de amor, de correspondência ao amor oferecido, a resposta é o vinagre do ódio gratuito. A gratuidade do ódio só faz completar a gratuidade do amor.
Na narração da Paixão no Evangelho de João, Jesus é sempre senhor da situação. Após a Ceia, vai com os discípulos para um jardim. Jardim lembra o Éden, e não sofrimento e dor. Ali ele não pede que o Pai afaste o cálice da dor, como acontece nos sinóticos. Ele se entrega quando quer. Não se rebaixa diante de Anás e seus subalternos nem diante de Pilatos. De mãos atadas, como insiste em dizer o evangelista, está mais livre do que aqueles que o prenderam e seus subalternos.
Ele mesmo carrega sua cruz, e os dois crucificados com ele não são bandidos nem criminosos comuns, são apenas mais dois. Quanto mais senhor da situação, mais livremente ele está amando, mais gratuito é seu amor.
Extraído de: VIDA PASTORAL "Revista Bimestral para Sacerdotes e Agentes de Pastoral". ano 53. número 283. Março / Abril 2012. p 37, 53 . Paulus.
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